AT PYX – Uma Estrela Variável do Tipo T Tauri
AT PYX – Uma Estrela Variável do Tipo T Tauri
Por Eric Marques Martins e Cledison Marcos da Silva
Neste artigo, utilizaremos observações fotométricas de AT PYX para explorar algumas das principais características das estrelas variáveis do tipo T Tauri.
AT PYX é uma estrela variável do tipo T Tauri, uma classe composta por estrelas muito jovens e de baixa massa. Essas estrelas já concluíram a fase de protoestrela, mas ainda não atingiram a estabilidade característica das estrelas da sequência principal, como o Sol.
AT PYX está localizada na constelação de Pyxis (A Bússola), próxima às constelações de Vela e Puppis, conforme mostrado na imagem abaixo.
No gráfico abaixo, elaborado a partir de observações fotométricas realizadas no filtro V e disponibilizadas pelo banco de dados da AAVSO, observamos o comportamento característico de uma estrela variável do tipo T Tauri.
AT PYX apresenta variações de brilho ao longo de todo o período observado, alternando entre fases de maior e menor luminosidade. Em alguns momentos, a estrela apresenta aumentos significativos de brilho. Esses eventos podem estar relacionados a aumentos temporários na taxa de acreção, processo no qual material do disco remanescente da formação da estrela é capturado pelo seu campo magnético e direcionado para a superfície estelar.
Quando esse material atinge a estrela, ocorre a liberação de energia, provocando um aumento temporário de luminosidade. Esse comportamento é comum em estrelas jovens do tipo T Tauri e reflete a intensa atividade que ainda ocorre durante os estágios iniciais de sua evolução.
Outra característica típica das estrelas T Tauri são os períodos de relativa estabilidade, com pequenas variações em seu brilho. Vemos esse comportamento na curva de luz de AT PYX, observando-se um período de relativa estabilidade do brilho entre janeiro e março de 2025.
Após o período de relativa estabilidade observado entre janeiro e março de 2025, AT PYX voltou a apresentar variações mais acentuadas em seu brilho a partir do final de 2025 e início de 2026. Esse comportamento é compatível com o esperado para estrelas do tipo T Tauri, que podem alternar períodos de maior atividade com fases mais estáveis.
Analisando agora o gráfico a seguir, que inclui as fotometrias nos filtros B, V, R e I, vemos uma certa sincronia entre todos os filtros fotométricos, o que é compatível com a hipótese de que esses picos estejam relacionados a eventos de acreção observados em estrelas do tipo T Tauri.
Este gráfico também apresenta uma curiosidade interessante. As variações de brilho observadas nos filtros V e I ocorrem de forma semelhante, indicando que não há evidências claras de grandes eventos de obscurecimento causados pelo disco de acreção.
Quando a luz de uma estrela T Tauri é parcialmente bloqueada pela poeira do disco de acreção, normalmente a queda de brilho é mais intensa nos filtros B, V e R do que no filtro I (infravermelho). Isso acontece porque a luz infravermelha atravessa a poeira com mais facilidade. Os dados de AT PYX não mostram esse comportamento de forma evidente durante o período analisado.
Entre os dias 13/09/2024 e 22/09/2024, foram realizadas observações fotométricas quase diárias de AT PYX. O gráfico correspondente a esse período revela pequenas variações de brilho que podem estar associadas à presença de manchas na superfície da estrela.
À medida que a estrela gira, essas regiões apresentam temperaturas diferentes do restante da superfície, provocando discretas alterações em seu brilho aparente. Esse fenômeno é semelhante ao observado no Sol, porém tende a ser mais intenso em estrelas jovens e magneticamente ativas, como AT PYX.
No centro das imagens em GIF apresentadas a seguir, podemos observar o quão rapidamente AT PYX é capaz de variar seu brilho.
Entre os dias 19 e 22 de setembro de 2024, a estrela apresentou uma variação superior a uma magnitude no filtro V. Sua magnitude passou de 14.539 em 19/09 para 13.471 em 21/09, indicando um aumento significativo de brilho, antes de retornar para 14.515 em 22/09.
Essa rápida variação é uma das características marcantes das estrelas do tipo T Tauri e está relacionada aos intensos processos físicos que ainda ocorrem em estrelas jovens.
Conclusão:
Este artigo demonstra a importância da fotometria para a astronomia e como a análise do brilho de uma estrela pode revelar informações valiosas sobre sua natureza e comportamento.
A partir da curva de luz de AT PYX, observamos características típicas de uma estrela variável do tipo T Tauri, uma classe de estrelas jovens que ainda passam por processos relacionados à sua formação. Os aumentos de brilho observados podem estar associados à acreção de material sobre a superfície da estrela, enquanto as pequenas variações registradas ao longo do tempo sugerem a presença de fenômenos ativos em sua atmosfera, como manchas estelares. Além disso, o comportamento semelhante observado nos diferentes filtros fotométricos sugere que essas variações estão associadas a processos físicos reais da estrela, e não a efeitos instrumentais ou observacionais.
Embora sejam necessárias observações contínuas para compreender melhor todos os processos envolvidos, os dados apresentados mostram como a fotometria permite investigar estrelas distantes utilizando apenas medições precisas de seu brilho.
Por fim, é importante destacar que todas as observações utilizadas neste artigo e registradas no banco de dados da AAVSO foram realizadas por astrônomos amadores. Esse trabalho colaborativo demonstra como a participação da comunidade pode contribuir de forma significativa para o avanço do conhecimento científico.
Bibliografia:
https://apps.aavso.org/webobs/results/?star=000-BFD-269&num_results=200
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